Gestão e manejo de trilhas – para correr e para corridas
Aparentemente parece simples inserir praticantes ou nutrir a paixão e o condicionamento específico no Trailrun: basta soltar o povo no mato e mandar correr, pendurar umas fitas ou dar um arquivo .GPX que está tudo resolvido certo? Não!
Coloque por um instante aquela sua primeira experiência de lado e visualize outros pontos de vista.
Em muitos lugares no Brasil e no Exterior, trilhas são ponto turísticos ou acessos a pontos turísticos como picos, cachoeiras e mirantes. Noutros tantos são usados para observação de fauna e flora, para uso turístico e até científico e, pasmem, como estradas usadas diariamente.
O uso esportivo é compartilhado principalmente por montanhistas, escaladores, trekkers, canoístas, voadores, pescadores, motociclistas, ciclistas e corredores. Desse universo, pouquíssimos usuários ou associações se dedicam à sua manutenção: basicamente os montanhistas. Fora desse universo cabe à associações ambientalistas ou de apoio à unidades de conservação o cuidado desse nosso tesouro.
Trilhas deveriam ser cuidadas para serem usadas, muito usadas: há benefícios não só referentes à atividade física praticadas nelas, mas também à simples exposição à natureza que essas trilhas permitem.
Trilhas mal cuidadas se fecham, se perdem e seu destino será “o fim da picada”! Interessante seria que houvesse informação para o fácil acesso às trilhas; há muitos livros que as catalogam, mas pouca divulgação.
Sua estrutura preferencialmente deveria ser a de “single-track” onde passa uma pessoa, com deslocamento fluido e rápido para usuários e equipes de manutenção e resgate; imagine uma remoção numa trilha estilo “picada”? Há de se pensar também na segurança e integridade do usuário com podas frequentes e retirada de obstáculos, mesmo os iminentes (árvores e galhos prestes à cair).
Quanto melhor o estado da trilha, mais fácil será a manutenção, possibilitando esforços breves e mais frequentes. Na medida do possível a adoção de sinalização permanente que informe sobre a navegação e eduque quanto à conservação da trilha e do meio ambiente.
Finalmente, a saúde da trilha depende da sua boa e frequente utilização. Há disponíveis várias técnicas de manejo de conservação e pode ser estimulada a formação de grupos de gestão junto à proprietários, unidades de conservação e órgãos ambientais municipais.
Nossas trilhas são patrimônio cultural, esportivo e ambiental, cuidemos com zelo. UP!
Por Emílio Sant’Ana