O sonho da “Carreira custo zero”

O sonho da “carreira custo zero”

Já fui abordado por pessoas (nem atletas eram) com a seguinte proposição: se eu entrar nessa modalidade, como eu faço pra ser patrocinado?

Daí pra cá somam-se:

* atletas inexpressivos (esportivamente) anunciados como “confirmados” em eventos de corrida;

* pessoas com visibilidade (likes) confundidos com “bons atletas”;

* novos corredores que consideram que postagens (com ou sem likes) substituem desempenho e experiência;

* atletas que investem mais ($$$) em equipamentos de marca, suplementos e impulsionamento de postagens do que em orientação profissional em treinamento, nutrição, fisioterapia ou em boas provas (com desafio técnico e atletas de ponta inscritos);

E muito mais…

Qual seria o caminho para uma relação interessante entre empresas e atletas no caminho para um investimento que se reverta tanto em vendas como em desenvolvimento esportivo?

O que eu tenho observado nos últimos anos:

1.       Potencial – Idade compatível com desempenho máximo, integridade física que permita resultados em médio e logo prazo e uma modalidade que tenha potencial visibilidade para a marca/empresa;

2.       Resultados – absolutos (campeão, podium, ranqueamento) e relativo worldclass;

3.       Relevância do atleta – estadual, nacional e internacional;

4.       Projeto – metas e prazos para conquistas;

5.       Infra-estrutura – equipe técnica.

Uma verdade precisa ser contada: um destaque esportivo vende por décadas! (vide Michael Jordan, Usain Bolt, Ronaldo Fenômeno, Kilian Jornet e recentemente Gerhardt Berger na campanha da Heineken 0)

Ignorar essas realidades se traduz em:

·         Encolher o potencial esportivo local, não desenvolvendo resultados esportivos expressivos;

·         Vendas em curtíssimo prazo;

·         Atrofia do mercado esportivo (novos consumidores que viriam com as conquistas); quantos tênis Rainha foram vendidos no Brasil após a medalha de prata olímpica em 1984? Um boom de mais de uma década!

A matemática é simples: investimento que gera resultados, que geram vendas, que garantem novos investimentos – a partir daí o ciclo garante vendas e inventimentos crescentes em médio e longo prazo.

Hoje, no Brasil, no cenário Trailrun quem contribui para essa estagnação:

·         A marca que ao invés de bancar bons atletas e seus projetos, distribui material esportivo em troca de exposição a custo mínimo;

·         A empresa que igualmente enxuga custos sociais com vendedores e planos de marketing e patrocínio esportivo e investe em influencers, que usam o tempo que poderiam estar treinando pendurados no whatsapp e mídias sociais em troca de % de vendas;

·         O “agente” que faz o intermédio entre empresas/marcas e atletas/influencers; (proporcionalmente esse ganha mais que as demais partes envolvidas)

·         O organizador de provas que troca likes por inscrições, estadias e passagens (que não sejam para destaques esportivos que venham enriquecer seu Line-up).

Pra onde a gente corre agora?

O Trailrun (inclua-se a Corrida de Montanha e o Skyrunning) é ainda como o bebê que tenta se virar para ficar de bruços; ao que parece vamos continuar batendo palinha e estalando dedos, animando esse bebê a se virar. Enquanto isso uns poucos estão indo treinar e competir no exterior, porque lá a criança já está a andar. UP!

Por Emílio Sant’Ana

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